O Assaltante Noturno

Essa aconteceu quando eu tinha cerca de oito ou nove anos de idade. Meu padrasto tinha viajado a trabalho. Estávamos em casa apenas eu, minha irmí (ainda um bebê) e minha mãe. Era madrugada quando minha mãe ouviu um barulho de um intruso andando pelo corredor de casa. A porta do quarto dela estava fechada, mas mesmo assim foi possível ouvi-lo.

O assaltante dirigiu-se à cozinha e abriu a geladeira. Minha mãe achou esse fato estranho. Ela podia ouvir cada passo que ele dava. Ela então ouviu o barulho da gaveta de talheres sendo aberta. “Ele pegou uma faca para nos matar!” – pensou minha mãe. A preocupação maior dela naquele momento era comigo, já que eu estava em outro quarto, sozinho e indefeso (como se com ela fosse fazer alguma diferença).

Foram alguns minutos neste terror até que ela com cuidado abre a janela e joga objetos na janela da vizinha (as casas eram próximas). Ela não podia fazer muito barulho, pois isso chamaria a atenção do bandido. Depois de alguma insistência, a vizinha abre a janela e minha mãe consegue cochichar para ela, pedindo-a que avise à polícia. É neste momento que ela ouve os passos do ladrão indicarem que o mesmo estava vindo em sua direção.

Neste instante ela fica apreensiva. Leves batidas na porta fazem seu coração quase saltar pela boca. Temendo que o bandido ficasse irritado, ela resolveu abrir a porta, já com medo do que lhe poderia acontecer. Neste momento ela me vê e me puxa para dentro do quarto. Ela pensou: “ele ouviu algo e veio se esconder aqui”.

Minha mãe começa então o interrogatório: “você viu o ladrão? Como ele era? Ele foi embora?” Eu não sabia de ladrão nenhum, mas quando a situação foi toda explicada, eu acabei por confessar: não havia bandido nenhum, era eu mesmo. No meio da noite, lembrei-me de um trabalho de escola para o dia seguinte. Precisava colar em uma cartolina algumas sementes de frutas e escrever o seu nome abaixo. Foi por isso que levantei, abri a geladeira, peguei algumas frutas, abri a gaveta de talheres, peguei uma faca, cortei as frutas, voltei ao meu quarto, trouxe cartolina, caneta e cola e completei a tarefa escolar. Quando voltava ao meu quarto, escutei um barulho do quarto de minha mãe e bati para ver se estava tudo bem.

Depois de tudo esclarecido, todos ficamos aliviados. O difícil foi explicar isso às três viaturas da polícia que apareceram logo depois.

Comments are closed.